Shopping cart

Subtotal: $4398.00

View cart Checkout

Brasil 37 é um site de notícias e atualidades que aborda temas como política, justiça, economia, sociedade, cultura e muito mais.

ads

AUTORAS CONTEMPORÂNEAS DÃO VOZ A TRABALHADORAS DOMÉSTICAS NA FLIP

Lilia Guerra e chilena Alia Trabucco Zerán debateram condições de trabalho da classe, desigualdade e herança da escravidão
Blog Image
Enviar por e-mail :

A brasileira Lilia Guerra e a chilena Alia Trabucco Zerán discutiram, na 23ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), as duras condições das trabalhadoras domésticas, por meio de suas obras literárias mais recentes. Os romances O céu para os bastardos e As limpas têm como personagens principais mulheres em trabalho doméstico, função que carrega uma forte herança da escravização e reflete, ainda hoje, a desigualdade social nos países latinos.


São três gerações de trabalhadoras domésticas na família de Lilia. “Todas as mulheres da minha casa eram trabalhadoras domésticas, minha avó, minha mãe e minha tia. Desde que eu acompanhava a rotina dessas mulheres, sempre conversando, contando e comentando as coisas que aconteciam, eu projetava essa carreira para mim também”, contou na mesa intitulada “A casa, o mundo”.


A brasileira Lilia Guerra e a chilena Alia Trabucco Zerán discutiram, na 23ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), as duras condições das trabalhadoras domésticas, por meio de suas obras literárias mais recentes. Os romances O céu para os bastardos e As limpas têm como personagens principais mulheres em trabalho doméstico, função que carrega uma forte herança da escravização e reflete, ainda hoje, a desigualdade social nos países latinos.


São três gerações de trabalhadoras domésticas na família de Lilia. “Todas as mulheres da minha casa eram trabalhadoras domésticas, minha avó, minha mãe e minha tia. Desde que eu acompanhava a rotina dessas mulheres, sempre conversando, contando e comentando as coisas que aconteciam, eu projetava essa carreira para mim também”, contou na mesa intitulada “A casa, o mundo”.


Quando criança, Lilia acompanhava a avó nas casas em que trabalhava. Depois, a mãe, até que ela mesma iniciou no trabalho doméstico.


“Embora a minha avó sempre tomasse cuidado para que eu não me sentisse fazendo um estágio e como se eu tivesse me preparando para também ser uma trabalhadora doméstica, eu sentia isso. Me parecia que não seria digno da minha parte se eu também não tivesse experiência. Eu esperava por ela, como se fosse uma coisa inevitável”, revelou Lilia.


A autora relatou que, no momento da escrita, recorreu à memória e às experiências vividas no contexto do trabalho doméstico. “Eu observava a minha avó e observava também os empregadores. Na hora de escrever, eu tinha a experiência da funcionária e podia empregar muitas coisas ali. Na hora de formar o perfil dos empregadores, dos patrões, eu recorri a essa observação, a essa escuta, à lembrança e à memória para fazer as construções.”


Quem são os bastardos

“Nenhum filho bastardo nascido de união ilícita fará parte da congregação do eterno; seus descendentes também não poderão entrar na assembleia do Senhor até a décima geração”, Deuteronômio 23:2. Com uma passagem da Bíblia, a autora Lilia Guerra, filha de mãe solo, dá início ao seu livro mais recente, O céu para os bastardos, finalista do Prêmio São Paulo de Literatura.


“Eu não conhecia essa palavra bastardo quando eu era criança. Nunca ninguém falou pra mim ‘você é uma bastarda’, mas eu ouvia muito que eu era filha de mãe solteira. Até que eu conseguisse descobrir o que isso acarretava na minha vida, demorou um pouco”, contou a escritora.


Moradora do bairro de Cidade Tiradentes, na zona leste da capital paulista, Lilia publicou seu primeiro livro em 2014, de forma independente,com o título Amor avenida. A obra foi construída a partir dos relatos feitos pela mãe sobre a relação com o pai da autora, que ela não chegou a conhecer. Além de escritora, ela é auxiliar de enfermagem em um posto do Sistema Único de Saúde (SUS), no bairro de Guaianazes.


Quem são os bastardos


“Nenhum filho bastardo nascido de união ilícita fará parte da congregação do eterno; seus descendentes também não poderão entrar na assembleia do Senhor até a décima geração”, Deuteronômio 23:2. Com uma passagem da Bíblia, a autora Lilia Guerra, filha de mãe solo, dá início ao seu livro mais recente, O céu para os bastardos, finalista do Prêmio São Paulo de Literatura.


“Eu não conhecia essa palavra bastardo quando eu era criança. Nunca ninguém falou pra mim ‘você é uma bastarda’, mas eu ouvia muito que eu era filha de mãe solteira. Até que eu conseguisse descobrir o que isso acarretava na minha vida, demorou um pouco”, contou a escritora.


Moradora do bairro de Cidade Tiradentes, na zona leste da capital paulista, Lilia publicou seu primeiro livro em 2014, de forma independente,com o título Amor avenida. A obra foi construída a partir dos relatos feitos pela mãe sobre a relação com o pai da autora, que ela não chegou a conhecer. Além de escritora, ela é auxiliar de enfermagem em um posto do Sistema Único de Saúde (SUS), no bairro de Guaianazes.


Informações: Camila Boehm/Agência Brasil 


Foto: Alexandre Cassiano