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MORRE MINO CARTA, MAIOR JORNALISTA DA HISTÓRIA DO BRASIL

Criador das revistas Quatro Rodas, Veja, Istoé e Carta Capital, além de outros veículos, italiano marcou época na imprensa nacional por mais de 70 anos
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Morreu nesta terça-feira (2), aos 91 anos, o jornalista Mino Carta, em São Paulo. Mino estava internado na UTI do Hospital Sírio-Libanês há duas semanas, e há mais de um ano lutava contra problemas de saúde. 


Italiano de Gênova, mas radicado no Brasil desde a década de 1950, Mino é considerado por muitos, inclusive pelo editor do Brasil37, como o maior nome da história do jornalismo brasileiro. Foi o criador de algumas das principais publicações que já tivemos, principalmente revistas: Quatro Rodas (1960), Veja (1968), Istoé (1976) e Carta Capital (1994), esta última sob seu comando até 2024. Mino também foi o responsável pela criação da edição de esportes do jornal Estado de S. Paulo, que viria a inspirar a criação do extinto Jornal da Tarde, e pelo saudoso Jornal da República. 


Na Veja, Mino enfrentou a Ditadura Militar até o rompimento de seu acordo com o proprietário da Editora Abril, Victor Civita, que se rendeu aos militares. Depois de pedir demissão, Mino fundou a Istoé, em sociedade com o gráfico Domingo Alzugaray. Foi a primeira publicação brasileira que destacou, na capa, o então líder sindical Lula. Anarcossindicalista, Mino Carta construiu uma relação de amizade com o atual presidente. Na década de 1980, foi o responsável por convencer Lula a participar do movimento “Diretas Já”. 


Para Mino, o jornalismo tem três princípios básicos: fidelidade canina à verdade factual, exercício desabrido do espírito crítico e a fiscalização do poder, onde quer que ele se manifeste. Foi essa tríade que moldou sua atividade profissional por sete décadas – além, é claro, da escrita a bico de pena, a ironia e a beleza de suas publicações. 


Encarou sua vida tendo como base a formulação gramsciana, inspirada, talvez, em Romain Rolland: pessimismo na inteligência, otimismo da vontade. “Nunca pensei em ser mestre de coisa alguma. Penso no país e nos meus leitores”, disse, certa vez. Não pensou, mas foi. Mestre de todos aqueles que praticam o bom jornalismo. Crítico e transparente. 


Pintor, Mino teve seus quadros expostos no Brasil e na Itália, com mais de 300 telas vendidas. Deixou a arte após a morte de sua esposa, Maria Angélica Pressoto, em 1996. Foi quando passou a se dedicar à literatura. Em 2000, publicou o “Castelo de Âmbar”, cuja continuação veio em 2003, “A sombra do silêncio”. Sua obra-prima, entretanto, foi publicada em 2013: O Brasil, uma biografia do país que Mino escolheu para viver, contada a partir da ótica jornalística. Escreveu ainda “Crônicas da Mooca – com a benção de San Gennaro” (2009), “A vida de Mat” (2016) e “O desafio de Lula” (2017). 


Deixa uma filha, Manuela Carta. Um de seus filhos, Gianni, morreu em 2019.