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EM AUDIÊNCIA NO STJ, COMISSÃO APROVA ANTEPROJETO DA LEI GERAL DE DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO

Texto segue para aperfeiçoamento no âmbito do Poder Executivo para, em seguida, ser apresentado oficialmente ao Congresso Nacional
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A comissão responsável pela elaboração do anteprojeto da Lei Geral de Direito Internacional Privado se reuniu no Superior Tribunal de Justiça (STJ), na última quarta-feira (15), para aprovar o texto final do documento.


Além do presidente do STJ, ministro Herman Benjamin, o encontro contou com a participação dos três membros da corte – ministros Luis Felipe Salomão, Moura Ribeiro e Paulo Sérgio Domingues – que integram o grupo formado em dezembro de 2024 pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável da Presidência da República, por meio da Portaria CDESS/SRI/PR 1.


O trabalho de elaboração da proposta da Lei Geral de Direito Internacional Privado começou no primeiro semestre deste ano, quando o STJ sediou duas audiências públicas realizadas pela comissão para discutir o tema de forma ampla, com a colaboração de representantes da sociedade civil e membros dos Poderes Executivo e Judiciário.


O anteprojeto, inovando em diversos aspectos, pretende disciplinar em uma única lei temas como cooperação internacional, produção de provas, contratos de trabalho, direito do consumidor e aplicação da norma estrangeira. Há também a pretensão de harmonizar a autonomia da vontade privada das partes, princípio-mor do direito privado, com a proteção de pessoas que se encontram em situação de vulnerabilidade.


Aprovado o texto, o anteprojeto segue agora para aperfeiçoamentos no âmbito do Poder Executivo e, depois, será oficialmente apresentado ao Congresso Nacional.


Dignidade da pessoa humana no direito internacional privado 

Para o ministro Herman Benjamin, a nova lei precisa recuperar princípios como o da dignidade da pessoa humana, da transparência e da integridade do servidor público.


Usando como exemplo a competência do tribunal para homologar sentença estrangeira, o presidente da corte afirmou que o Judiciário precisa superar uma ideia ultrapassada segundo a qual, ao operar com as atuais ferramentas de direito internacional privado, o julgador deve se limitar a examinar aspectos formais, sem empreender uma análise valorativa profunda. 


Um salto para o futuro com 40 anos de atraso

Durante a reunião, membros da comissão ressaltaram a necessidade de uma nova lei, moderna, acessível e atenta ao complexo momento vivido no Brasil e no mundo. Hoje, a principal fonte normativa de direito internacional privado vigente no país é a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), instituída pelo Decreto-Lei 4.657, de 4 de setembro de 1942.


O ministro Moura Ribeiro enfatizou que o país precisava urgentemente avançar no tema: "É uma grande vitória para a cidadania e para a dignidade da pessoa humana. Nós estamos atrasados uns 40 anos, pelo menos, mas agora vamos dar um salto permanente para o futuro".


A produção coletiva da norma e o olhar do Judiciário

Integrante do comitê de redação do anteprojeto, o ministro Luis Felipe Salomão salientou que o trabalho foi coletivo, contando com a colaboração de profissionais de várias áreas, da academia e da advocacia. Ele destacou a importância da participação do Judiciário na elaboração de propostas normativas para prevenir que a lei tenha a sua constitucionalidade contestada depois.


Ainda que não se trate de uma contribuição institucional, o ministro considera que os membros do Judiciário podem aprimorar as normas a partir do seu conhecimento profissional. "Para além da nossa jurisdição, estamos tentando melhorar o sistema jurídico brasileiro", disse.  


O impacto do trabalho coletivo na aprovação do anteprojeto foi reforçado também pelo ministro Paulo Sérgio Domingues. Para ele, o esforço conjunto de pessoas de diversas áreas e com diferentes visões foi fundamental para que a comissão entregasse um resultado "republicano, relevante e atual". 


Confira a cobertura da reunião:



Informações: STJ


Foto: Gustavo Lima / STJ