Literatura, Direito Inalienável foi o tema da palestra de encerramento da 4ª edição do projeto “Elas Encantam – Mulheres na Arte”, promovida pela Comissão TRF-1 Mulheres na última quarta-feira, 2 de setembro. O encontro contou com a participação da jornalista, escritora e editora Simone Paulino e foi realizado no Espaço Pontes de Miranda do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), em Brasília/DF.
A vice-presidente da Comissão, desembargadora federal Gilda Sigmaringa Seixas, abriu o evento, destacando que celebrar o encontro de duas escritoras, Simone Paulino e Clarice Lispector, tem o poder de transformar o mundo. Ao cruzar a força das mulheres intelectuais com o sentimento de pertencimento à nossa terra, o livro que ela escreveu nos convida a desacelerar e a encarar a literatura como um espelho, como uma ferramenta de autodescoberta e emancipação. Simone nos ensina que a palavra justa de Clarice nos humaniza, organiza nosso caos interior e nos dá o suporte necessário para transformar a nossa própria realidade. Portanto, nesse encontro entre o direito e a arte, celebramos não apenas a conquista, mas a promessa de um futuro mais justo, mais sensível e plural”.
Na ocasião, a Secretária da Mulher do Governo do Distrito Federal (GDF), Jackeline Domingues de Aguiar, representou a Governadora do DF, Celina Leão. Em sua fala, destacou que é uma honra estar no Tribunal e rodeada por mulheres. “Todas as vezes que eu venho ao TRF1 é nessa situação que eu me encontro. Então, para mim é sempre uma honra estar aqui com vossas excelências. (...) Ser mulher é essa pluralidade que estamos vendo aqui, é essa sensibilidade de entender que a arte, que a justiça e que as lideranças também fazem parte da nossa vida enquanto mulheres”.
Literatura, Direito Inalienável
A presidente da Comissão, desembargadora federal Rosimayre Gonçalves de Carvalho, conduziu o debate. Na oportunidade, destacou o objetivo do projeto Elas Encantam – Mulheres na Arte. “Trazer a arte para o tribunal, mostrar como ela é transformadora e como a gente pode, numa linguagem que só o artista consegue, fazer as pessoas se conectarem com isso que é o que a gente realmente deseja: uma mudança de cultura de uma sociedade que ainda preserva valores e estruturas machistas para uma sociedade igualitária”.
Autora da obra “Como Clarice Lispector pode mudar sua vida”, entre outros livros, a jornalista e editora Simone Paulino destacou que “a literatura é uma ferramenta de empoderamento para todas as pessoas, mas para as mulheres, principalmente. As mulheres precisam ler mais e precisam ler mais ficção, porque isso traz para elas um estofo e uma desenvoltura para agir, para trabalhar e para crescer”.
Ao apresentar o livro debatido, a escritora trouxe uma reflexão sobre um texto do escritor Antonio Candido, O Direito à Literatura: “eu escolhi esse texto não só porque estou aqui no ambiente da justiça, no ambiente do direito, mas porque lá atrás, quando eu li esse texto, me identifiquei muito naquele lugar que o professor Antonio Candido desenha e que eu acho que é fundamental para todo mundo que está aqui. O professor Antonio Candido foi convidado a falar numa conferência da ONU sobre direito humano. Então, ele poderia falar sobre tudo, sobre saúde, sobre moradia, sobre alimentação, sobre o que fosse. Só que ele decide falar sobre o direito à literatura, porque ele entende que a literatura é um bem inalienável, é um bem necessário para a constituição do sujeito. Ele entende que direito humano é tudo aquilo que, se nos falta, nos faz menores do que poderíamos ser, e se a literatura tem esse poder de transformar a nossa vida, de nos empoderar, de nos engrandecer, de nos dar instrumentos para viver, de nos dar força, de nos acalentar, ela não pode faltar para ninguém”.
Ao longo da conversa, os participantes puderam contribuir com perguntas e comentários sobre o livro da autora e os temas debatidos.
Encerrando o evento, a presidente do Tribunal, desembargadora federal Maria do Carmo Cardoso, celebrou o momento e reiterou o objetivo do projeto: “trazer para o tribunal uma outra visão, um outro olhar, um olhar feminino, com pessoas que possam nos fornecer informações com leveza”.
Também estiveram presentes as desembargadoras federais Daniele Maranhão e Kátia Balbino; o secretário-geral do TRF-1, juiz federal Rodrigo Navarro; a secretária-geral da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam), juíza federal Mara Lina Silva do Carmo; o juiz federal em auxílio à Presidência do TRF-1, Bruno Augusto Santos Oliveira; e o procurador-chefe da Procuradoria Regional da República da 1ª Região, José Robalinho Cavalcanti.
Brasil 37