Cultura

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO PROMOVE DEBATES SOBRE DEMOCRATIZAÇÃO DA ARTE

Evento reuniu reuniu curadores, pesquisadores e gestores culturais para discutir parcerias institucionais e legado do modernismo brasileiro

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO PROMOVE DEBATES SOBRE DEMOCRATIZAÇÃO DA ARTE

Montar uma exposição envolve muito mais do que apresentar obras de arte em uma galeria. Do trabalho de pesquisa à democratização do acesso à arte, o caminho para se concretizar uma mostra requer, por exemplo, a consolidação de parcerias institucionais que viabilizam a circulação de acervos e permitem a construção de narrativas para além do que já foi dito sobre aqueles trabalhos.


Essas questões, somadas a uma discussão sobre o papel das instituições culturais na sociedade contemporânea, guiaram duas rodas de conversa realizadas no último sábado (13) no Centro Cultural TCU (CCTCU), em Brasília (DF).


A programação contou ainda com o lançamento dos catálogos das exposições "Entre Linhas e Formas: a arte e o design no Brasil" e "Cenas Brasileiras: o modernismo brasileiro em perspectiva", além da apresentação musical do grupo brasiliense Choro Delas e de uma oficina de pintura comandada pelo programa educativo do Centro Cultural.


Unir forças para democratizar a arte

Com mediação do pesquisador e historiador da arte Rodrigo Ferreira, o primeiro bate-papo da tarde contou com a participação do chefe do Museu da Câmara dos Deputados, Marcelo Sá; da diretora do Museu Nacional da República, Fran Favero; e da curadora e produtora do CCTCU, Carolina Dias.


A união desses gestores e a participação de colecionadores particulares de obras de arte permitiram que o Centro Cultural TCU realizasse a exposição "Entre Linhas e Formas: a arte e o design no Brasil", que ficou em cartaz entre outubro de 2024 e janeiro de 2025. O projeto mostrou como o modernismo brasileiro foi da pintura ao mobiliário, ganhando o cotidiano das pessoas, a partir do trabalho de 26 artistas visuais e 18 peças de designers de renome nacional e internacional.


Para o chefe do Museu da Câmara dos Deputados, Marcelo Sá, ao viabilizar que o público tomasse conhecimento dessas peças, a mostra contribuiu para o que ele chama de educação patrimonial. "O que a gente busca é despertar um olhar diferenciado que é o afeto para, a partir daí, sempre preservar esse patrimônio com o auxílio da sociedade", afirmou. "E, para você despertar o afeto nas pessoas, elas têm que conhecer", acrescentou Marcelo Sá.


Na avaliação da diretora do Museu Nacional da República, Fran Favero, quando uma instituição como o Museu Nacional da República faz um empréstimo de obras de arte, ela sempre ganha um retorno que reforça sua missão na construção da cidadania e do acesso à arte. "A parceria permite a democratização do acesso às obras e sua circulação, respeitando as regras e normas museológicas. O acervo, assim, é visto, encontra novos públicos e, simultaneamente, segue sendo salvaguardado, já que a circulação é feita de maneira adequada e segura", comentou Fran Favero.


O debate sobre a construção de outras narrativas a partir de novos olhares para os trabalhos também ressoou na segunda roda de conversa. Ela reuniu o curador das exposições do CCTCU William Ribeiro; o curador das exposições e assistente de produção do CCTCU Rodrigo Ferreira; a professora do Departamento de Artes Visuais da Universidade de Brasília (UNB) Maria do Carmo Couto; e a diretora do Museu de Valores do Banco Central do Brasil (Bacen), Karla Valente.


Um olhar para o povo

"A exposição "Cenas Brasileiras: o modernismo brasileiro em perspectiva" permite muitos voos", declarou a professora de Artes Visuais da UNB Maria do Carmo. Ela explicou que o modernismo é um movimento que, naturalmente, atrai bastante público. "Ele é mais claro em suas representações, o desenho é mais simplificado, os artistas trazem temas do Brasil, além das reinterpretações de temas clássicos", descreveu a acadêmica.


Em uma cidade na qual muitos acervos de instituições culturais são formados por obras modernistas, Maria do Carmo destacou a importância de a população conhecer e entender esses artistas. "É um repertório que vai se construindo para, assim, perceber as possibilidades da arte e como os artistas usam a criatividade para trabalhar diferentes temas e formas", afirmou a professora.


Dentro da mostra, em exibição até 5 de outubro no Centro Cultural TCU, 55 obras fazem parte do acervo do Banco Central. Para a diretora do Museu de Valores do Bacen, Karla Valente, neste momento em que o museu da instituição está fechado e se reestruturando, parcerias como a realizada com o CCTCU são fundamentais. "Não é só ter o acervo, preservá-lo e guardá-lo em um cofre ou reserva técnica, é colocar à disposição da sociedade para que as pessoas possam sentir a arte. O acervo não é do Bacen, é do povo brasileiro", comentou a diretora.


Curador e colecionador de arte, Cláudio Pereira aproveitou a ocasião para doar uma obra ao CCTCU. Ele, que acompanha as atividades do centro desde a inauguração, afirmou que a iniciativa é uma forma de contribuir e colaborar nessa parceria, que ele espera que frutifique e estimule outras ações similares. "É uma ação voltada para o público e, principalmente, para as novas gerações, de modo a construir um olhar para perpetuar, valorizar e proteger esse patrimônio que é de todos nós", disse Cláudio Pereira.


Informações: Imprensa TCU